2003-CAPA-COSMOTRON

Cosmotron assim como o álbum anterior, foi produzido e gravado, durante cinco meses, no Estúdio Ferretti, em Belo Horizonte, em clima absolutamente informal, dirigido pelo produtor Tom Capone que já havia trabalhado com a banda em partes de Maquinarama.

A maioria das canções traz a tradicional assinatura de Samuel Rosa e Chico Amaral. As exceções são “Resta um Pouco Mais”, de Lelo Zanetti e Chico Amaral, “Dois Rios”, com letra de Nando Reis sobre melodia de Lô Borges e Samuel, “Formato Mínimo” e “Por um Triz”, textos de Rodrigo Leão (do grupo Professor Antena), e “Supernova”, letra de Fausto Fawcett. E há a estréia da parceria entre Samuel e Humberto Effe (vocalista da seminal banda oitentista Picassos Falsos) na canção “Pegadas na Lua”.

O nome do disco que, assim como Maquinarama, brinca com um sufixo retrô refere-se a curiosa recorrência de temas cosmológicos, como estrelas, sol, luas e supernovas, espalhados pelo álbum. O material gráfico foi desenvolvido por Marcus Barão e Weber Pádua.

Cosmotron foi lançado em julho de 2003 e vendeu 210 mil cópias

Faixas

1. Supernova

Supernova

Samuel Rosa - Fausto Fawcett

É nítido, direto e inquietante
Eu diria totalmente extravagante
Nosso amor é agressivo no seu ímpeto lascivo
De amizade escarnada no desejo

Não tem calma o forte sim da tua presença
Fecundando minha mente e o fundo desse poço
Onde me jogo simplesmente por esporte boêmio
Mas é tão sério e maluco tá por um fio de tensão

Nosso amor é agressivo no seu ímpeto lascivo
De amizade escarnada no desejo
Obtém aquele máximo poder de um casal
Que é só mesmo destino de um pro outro

No universo das paixões
Amor assim é supernova
Certeiro na veia da carne
Da alma, na carne d’alma

2. As Noites

As Noites

Samuel Rosa - Chico Amaral

As ruas desse lugar
Conhecem bem
As noites longas, as noites pálidas
Quando eu te procurava

As casas desse lugar
Se lembrarão
Do nosso abraço, da sombra insólita
Espelho azul no chão

As ruas desse lugar
Agora eu sei
Sempre escutaram a nossa música
Quando eu te respirava

As pedras municipais
Se impregnaram
Da dupla imagem, da dupla solidão
A sombra ali no chão

E lá no céu constelações
Num arranjo inusitado
O seu nome desenhado
Pelo menos tinha essa ilusão

E lá no céu os astros
Num arranjo surpreendente
Se buscavam como a gente
Pelo menos tinha essa ilusão

São milhares de estrelas
Singulares letras vivas no céu

As ruas desse lugar
Conhecem bem
As noites longas, as noites pálidas
Quando eu te procurava

As casas desse lugar
Se lembrarão
Do nosso abraço, da sombra insólita
Espelho azul no chão

E lá no céu constelações
Num arranjo inusitado
O seu nome desenhado
Pelo menos tinha essa ilusão

E lá no céu os astros
Num arranjo surpreendente
Se buscavam como a gente
Pelo menos tinha essa ilusão

São milhares de estrelas
Singulares letras vivas no céu
São milhares de estrelas
Singulares letras vivas no céu

3. Pegadas na Lua

Pegadas na Lua

Samuel Rosa - Humberto Effe

A parte que me cabe
Nesse peito seu
Novamente vai se lembrar
Sua boca era silêncio
A terra queria girar

A parte que me cabe
No teu sonho ateu
Novamente quer acreditar
Em universos infinitos
Sem nenhuma luz pra te cegar

A parte que me cabe
Nesse peito seu
Novamente vai respirar
Em lugares abafados
Onde ninguém vai passar

A parte que me cabe
Nesse espelho seu
Novamente vai desejar
O que parece inatingível
Mas faz o mundo melhorar

Eu sou uma força
Jorrando palavras
Pelos canos de vitrines e ruas
Por onde você vai trafegar

A parte que me cabe
Nesse peito seu
Novamente vai se lembrar
Sua boca era silêncio
A terra queria girar

A parte que me cabe
No teu sonho ateu
Novamente quer acreditar
Em universos infinitos
Sem nenhuma luz pra te cegar

Eu sou essa força
Abrindo suas gavetas
Tirando palavras que podem
Até te contar

Eu tenho uma força
Que deixa pegadas na lua
Na esquina por onde
Você também vai levitar

4. Amores Imperfeitos

Amores Imperfeitos

Samuel Rosa - Chico Amaral

Não precisa me lembrar
Não vou fugir de nada
Sinto muito se não fui feito um sonho seu

Mas sempre fica alguma coisa
Alguma roupa pra buscar
Eu posso afastar a mesa
Quando você precisar

Sei que amores imperfeitos
São as flores da estação

Eu não quero ver você
Passar a noite em claro
Sinto muito se não fui seu mais raro amor

E quando o dia terminar
E quando o sol se inclinar
Eu posso por uma toalha
E te servir o jantar

Sei que amores imperfeitos
São as flores da estação

Mentira se eu disser
Que não penso mais em você
E quantas páginas o amor já mereceu
Os filósofos não dizem nada
Que eu não possa dizer

Quantos versos sobre nós eu já guardei
Deixa a luz daquela sala acesa
E me peça pra voltar

Não precisa me lembrar
Não vou fugir de nada
Sinto muito se não fui feito um sonho seu

Sei que amores imperfeitos
São as flores da estação

Mentira se eu disser
Que não penso mais em você
E quantas páginas o amor já mereceu
Os filósofos não dizem nada
Que eu não possa dizer

Quantos versos sobre nós eu já guardei
Deixa a luz daquela sala acesa
E me peça pra voltar

5. Por Um Triz

Por Um Triz

Samuel Rosa –- Rodrigo F. Leão

Brandiu assim o ferro quente
E seu rosto em minha mente
Foi queimando feito cicatriz

Do corpo estreito quase ausente
O cheiro ardido e transparente
Era certo da questão o xis

Que o líquido fermente
Se separem as sementes

Ponham-se os pingos nos ís
Que a lente do amor aumente
Faça em presença o que é ausente
Porque só se vive por um triz

Só o amor pode juntar
O que o desejo separou
Não poderia ontem se
Vestir de amanhã

Brandiu assim o ferro quente
E seu rosto em minha mente
Foi queimando feito cicatriz

Do corpo estreito quase ausente
O cheiro ardido e transparente
Era certo da questão o xis

Que o líquido fermente
Se separem as sementes

Ponham-se os pingos nos ís
Que a lente do amor aumente
Faça em presença o que é ausente
Porque só se vive por um triz

Só o amor pode juntar
O que o desejo separou
Não poderia ontem se
Vestir de amanhã

Só o amor pode apagar
O que o desejo rasurou
Inventaria ontem
Pra existir amanhã

6. Dois Rios

Dois Rios

Samuel Rosa - Nando Reis - Lô Borges

O céu está no chão
O céu não cai do alto
É o claro, é a escuridão

O céu que toca o chão
E o céu que vai no alto
Dois lados deram as mãos

Como eu fiz também
Só pra poder conhecer
O que a voz da vida vem dizer

Que os braços sentem
E os olhos veem
Que os lábios sejam
Dois rios inteiros
Sem direção

O sol é o pé e a mão
O sol é a mãe e o pai
Dissolve a escuridão

O sol se põe se vai
E após se pôr
O sol renasce no Japão

Eu vi também
Só pra poder entender
Na voz a vida ouvi dizer

Que os braços sentem
E os olhos veem
E os lábios beijam
Dois rios inteiros
Sem direção

E o meu lugar é esse
Ao lado seu, meu corpo inteiro
Dou o meu lugar pois o seu lugar
É o meu amor primeiro
O dia e a noite as quatro estações

Que os braços sentem
E os olhos veem
E os lábios sejam
Dois rios inteiros
Sem direção

O céu está no chão
O céu não cai do alto
É o claro, é a escuridão

O céu que toca o chão
E o céu que vai no alto
Dois lados deram as mãos

Como eu fiz também
Só pra poder conhecer
Tudo que a voz da vida vem dizer

Que os braços sentem
E os olhos veem
E os lábios beijam
Dois rios inteiros
Sem direção

E o meu lugar é esse
Ao lado seu, no corpo inteiro
Dou o meu lugar pois o seu lugar
É o meu amor primeiro
O dia e a noite as quatro estações

Que os braços sentem
E os olhos veem
Que os lábios sejam
Dois rios inteiros
Sem direção

7. Nômade

Nômade

Samuel Rosa –- Chico Amaral

A minha casa está onde está o meu coração
Ele muda, minha casa não
No campo, em minas, terras gerais ou qualquer lugar
Onde estou, a minha casa está

Porque que eu sou apenas movimento
Sou do mundo, sou do vento
Nômade
Porque quando paro sou ninguém
Não declaro onde ou quem
Nômade

Meu endereço é o sítio estrelado de norte a sul
Ele muda a cada estação
Na boca do sertão, na varanda do seu olhar
Onde estou, a minha casa está

Porque que eu sou apenas movimento
Sou do mundo, sou do vento
Nômade
Porque quando paro sou alguém
Sou do espaço, sou do bem
Nômade

A minha carne é feita de tudo que vai e vem
Tempo, nuvem, aflição também
Encontro e perda ao mesmo tempo, eu não vou parar
Onde estou, a minha casa está

Porque que eu sou apenas movimento
Sou do mundo, sou do vento
Nômade
Porque quando paro sou ninguém
Não declaro onde ou quem
Nômade

A minha casa está onde está o meu coração
Ele muda, minha casa não
No campo, em minas, terras gerais ou qualquer lugar
Onde estou, a minha casa está

8. Vou Deixar

Vou Deixar

Samuel Rosa - Chico Amaral

Vou deixar a vida me levar
Pra onde ela quiser
Estou no meu lugar
Você já sabe onde é

Não conte o tempo por nós dois
Pois a qualquer hora
Posso estar de volta
Depois que a noite terminar

Vou deixar a vida me levar
Pra onde ela quiser
Seguir a direção
De uma estrela qualquer

Não quero hora pra voltar
Não!
Conheço bem a solidão
Me solta!
E deixa a sorte me buscar

Eu já estou na sua estrada
Sozinho não enxergo nada
Mas vou ficar aqui
Até que o dia amanheça
Vou esquecer de mim
E você se puder
Não me esqueça

Vou deixar o coração bater
Na madrugada sem fim
Deixar o sol te ver
Ajoelhada por mim
Sim!

Não tenho hora pra voltar
Não!
Eu agradeço tanto a sua escolta
Mas deixa a noite terminar

Eu já estou na sua estrada
Sozinho não enxergo nada
Mas vou ficar aqui
Até que o dia amanheça
Vou esquecer de mim
E você se puder
Não me esqueça

Não, não, não quero hora
Pra voltar, não
Conheço bem a solidão
Me solta!
E deixa a sorte me buscar

Não, não, não tenho hora
Pra voltar, não
Eu agradeço tanto a sua escolta
Mas deixa a noite terminar

9. Formato Mínimo

Formato Mínimo

Samuel Rosa - Rodrigo F. Leão

Começou de súbito
A festa estava mesmo ótima
Ela procurava um príncipe
Ele procurava a próxima

Ele reparou nos óculos
Ela reparou nas vírgulas
Ele ofereceu-lhe um ácido
E ela achou aquilo o máximo

Os lábios se tocaram ásperos
Em beijos de tirar o fôlego
Tímidos, transaram trôpegos
E ávidos, gozaram rápido

Ele procurava álibis
Ela flutuava lépida
Ele sucumbia ao pânico
E ela descansava lívida

O medo redigiu-se ínfimo
E ele percebeu a dádiva
Declarou-se dela, o súdito
Desenhou-se a história trágica

Ele, enfim, dormiu apático
Na noite segredosa e cálida
Ela despertou-se tímida
Feita do desejo, a vítima

Fugiu dali tão rápido
Caminhando passos tétricos
Amor em sua mente épico
Transformado em jogo cínico

Para ele, uma transa típica
O amor em seu formato mínimo
O corpo se expressando clínico
Da triste solidão, a rubrica

10. Resta Um Pouco Mais

Resta Um Pouco Mais

Lelo Zaneti - Chico Amaral

Se você esqueceu meus nomes
Comece a guardar
Cada madrugada que eu te dei
Mas resta um pouco mais
Navios colossais
Que nunca deixaram o cais
Um pouco mais
Naufrágio de estrelas no céu
Uma razão cega pra viver
E um arbusto na praia ao léu

Se você esqueceu meus erros
Revele pra mim onde foi que eu desapareci
Mas restam nestes vãos
As cinzas que irão
Tornar-se a tela de minha alma
Um pouco mais
Um corpo caído nas mãos
Silenciosas de uma mulher
E um tumulto no coração

Mas quando os meus olhos
Vão por aí
Levam junto os teus
Quando os meus olhos
Vão por aí
Levam junto os teus

Se você esqueceu meus nomes
Comece a guardar
Cada madrugada que eu te dei
Mas resta um pouco mais
Navios colossais
Que nunca deixaram o cais
Um pouco mais
Naufrágio de estrelas no céu
Uma razão cega pra viver
E um arbusto na praia ao léu

Mas quando os meus olhos
Vão por aí
Levam junto os teus
Quando os meus olhos
Vão por aí
Levam junto os teus

11. Os Ofendidos

Os Ofendidos

Samuel Rosa -– Chico Amaral

Na estrada de Pompéia me apareceu um velho
Velhas roupas e chapéu e um olho cego
Me perguntou o que havia de novo nesse mundo
Eu disse guerra, crime, e ele: o mundo não me assusta
O mundo só

Numa viela em Corumbá me apareceu um índio
Um cigarro em cada mão e um tênis só
Me disse que era de uma tribo subindo o Paraguai
Mas esta tribo já não há, e o mundo não me assusta
O mundo só me insulta
O mundo não me assusta, não
O mundo só

Vou deixar, vou deixar você pensar
Que o tempo parou
Vou dançar, vou dançar até chover
Razões pra viver
Morder o calcanhar do tempo
Pro tempo correr

No fliperama do Sion me apareceu o anjo
Olhos tristes e batom e uma ficha só
Me perguntou se eu precisava de alguma coisa ali
Eu disse sim, uma resposta, mas a pergunta me assusta
Mas a pergunta

Num trecho entre inferno e céu os dois tão absortos
Torre, bispo, Diabo e Deus e um silêncio só
Segui em frente e pude ouvir um fio de conversa
Ele disse em claro som: o mundo não me assusta, não
O mundo só me insulta
O mundo não me assusta
O mundo só

Vou deixar, vou deixar você pensar
Que o tempo parou
Vou dançar, vou dançar até chover
Razões pra viver
Morder o calcanhar do tempo
Pro tempo correr

O mundo não me assusta
O mundo só me insulta

O mundo não me assusta
O mundo só

12. É Tarde

É Tarde

Samuel Rosa - Chico Amaral

Se você olhar um pouco ao seu redor
Vai poder notar que a noite já caiu
Se você voltar pra casa e não achar ninguém
Vai notar que na cidade falta alguém

Se você ligar o rádio
Todas as canções irão dizer: Goodbye, so long, my love

Se você ligar o rádio
Todas elas juntas vão dizer: é tarde

Se você perdeu agora a ilusão
De que os fatos eram fios em suas mãos
Vai querer tirar do armário o velho violão
Vai notar que ainda falta uma canção

Se você ligar o rádio
Todas as canções irão dizer: Goodbye, so long, my love

Você vai deixar na lista
Das tarefas de amanhã: chorar mais tarde

E quando o sol da manhã bater na porta
E quando nada lá fora agora importa
Tudo bem, é tarde

13. Um Segundo

Um Segundo

Samuel Rosa - Chico Amaral

Não pense mais
Que você não é capaz
De cruzar estas esquinas

O mundo oscila
Realmente, eu sei
Na beirada dos teus olhos

Pode acreditar
Diabo é quando não há mais poesia
O chão não está mais fixo do que seu olhar
Hoje pra ninguém

Mas veja só
Não torne este peso maior
Sem razão

Você tem todo tempo
E mais um segundo pra se convencer

Você, rapaz
Na verdade é um a mais
Percorrendo o mesmo círculo

O mundo oscila
Realmente, eu sei
Feito fogo nos teus olhos

Pode acreditar
Diabo é quando a lágrima não cai
O chão não está mais fixo em nenhum lugar
Hoje pra ninguém

Mas veja só
Não torne este peso maior
Sem razão

Você tem todo tempo
E mais um segundo pra se convencer

Não pense mais
Que você não é capaz
De cruzar estas esquinas

14. Sambatron

Sambatron

Samuel Rosa - Chico Amaral

Pode ser que seja normal
Pode ser o início do fim
Se você disser que o samba é esse
Tomara que sim

Eu estava por aí
Meio assim paixão residual
Eu estava à espera do final
Do juízo sobre nós

Eu estava por aqui
Bem assim, depois do carnaval
Eu estava à espera do final
Do juízo sobre mim

Eu estava bem aqui
Nessa ilha artificial
Eu estava à espera do final
Do juízo sobre o mal

Eu estava à espera do final
Do juízo sobre mim
Eu estava à espera do final
Do juízo sobre o mal

Para quem tem dois ouvidos
E não consegue entender
Para quem tem duas mãos
E, não, não consegue doar
Para quem tem dois pulmões
E ainda assim falta ar

Para quem tem sexo
E sexo só não faz gozar

Laia badaia sabadana
ave-maria
É pau é pedra é toda alvenaria, eu sei

Eu estava por aí
Meio assim paixão residual
Eu estava à espera do final
Do juízo sobre nós

Eu estava por aqui
Bem assim, depois do carnaval
Eu estava à espera do final
Do juízo sobre mim

É pau é pó é pedra, é o problema crônico
É o samba eletrônico, é o sério e o cômico
O mudo e o afônico, é o mundo atômico
É o saco sem fundo sem nexo do mundo, eu sei

Laia badaia sabadana
ave-maria
É pau é pedra é toda alvenaria, eu sei

Eu estava à espera do final
Do juízo sobre o mal

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