Radiola

Radiola, primeira coletânea de sucessos, tem foco no material produzido no século 21 (nos discos Maquinarama, do ano 2000, e Cosmotron, de 2003). Além de oito hits remasterizados em Nova York pelo mesmo Michael Fossenkemper com quem a banda trabalhara em O Samba Poconé (1996), há quatro novidades para o público. “Um Mais Um”, parceria de Samuel Rosa com Rodrigo Leão, e “Onde Estão?”, de Samuel e Nando Reis, são totalmente novas e registradas especialmente para Radiola.

O álbum traz ainda duas versões publicadas pela primeira vez: “Vamos Fugir”, De Gilberto Gil e Liminha (lançada pelo compositor baiano e os Wailer em 1984), foi gravada para a campanha de verão das sandálias Rider, a mesma série de que já participaram Lulu Santos, Tim Maia, Paralamas e muitos outros; “I Want You” (do clássico LP Blonde on Blonde, de 1966) foi gravada no final de 1999 para um tributo a Bob Dylan que nunca chegou a ser lançado. Foi a primeira colaboração entre a banda e o produtor Tom Capone (com quem trabalharam nos dois discos de estúdio seguintes).

Revestindo as doze canções de Radiola, está o trabalho de Rob e Christian Clayton, dois irmãos do Colorado que trabalham na área de Los Angeles e já colaboraram com as revistas Rolling Stone e Zoetrope de Francis Ford Coppola. Também são responsáveis pela direção de arte do clipe “All Around The World”, do Oasis. A capa da primeira compilação do Skank, “Happy All The Day”, fez parte da última exposição dos Clayton Brothers na galeria La Luz de Jesus (Los Angeles) em novembro de 2003. Ao mesmo tempo em que seu trabalho remete a outras “capas pintadas” da banda (Siderado e O Samba Poconé, por exemplo), ao mesmo tempo perverte essa tradição apontando ao surrealismo, à arte pop de vanguarda.

Radiola foi lançado em novembro de 2004 e vendeu 210 mil cópias

Faixas

1. Um Mais Um

Um Mais Um

Samuel Rosa - Rodrigo F. Leão

Éramos nós
Éramos nós
Um mais um
Éramos mais
Que só dois

Éramos um
Feito de dois
Mais que nós dois
Nunca então sós

Eu era eu
Quando era nela
Ela em mim
Como ela era

Éramos um
Feito de dois
Mais que nós
Nunca então sós

Soma sem subtração
Múltiplos sem divisão
Dois que se amavam então
Éramos multidão

E na matemática torta
Da vida aqui sem ela
Dois menos um é zero
Eu não sou nada do que eu era

2. Três Lados

Três Lados

Samuel Rosa - Chico Amaral

Escutei alguém abrir os portões
Encontrei no coração multidões
Meu desejo e meu destino brigaram como irmãos
E a manhã semeará outros grãos

Você estava longe, então
Por que voltou
Seus olhos de verão
Que não vão entender?

E quanto a mim, te quero, sim
Vem dizer que você não sabe
E quanto a mim, não é o fim
Nem há razão pra que um dia acabe

Cada um terá razões ou arpões
Dediquei-me às suas contradições, fissões, confusões
Meu desejo, seu bom senso, raivosos feito cães
E a manhã nos proverá outros pães

Os deuses vendem quando dão
Melhor saber
Seus olhos de verão
Que não vão nem lembrar

E quanto a mim, te quero, sim
Vem dizer que você não sabe
E quanto a mim, não é o fim
Nem há razão pra que um dia acabe

Somos dois contra a parede e tudo tem três lados
E a noite arremessará outros dados
Os deuses vendem quando dão
Melhor saber
Seus olhos de verão
Que não vão nem lembrar

E quanto a mim, te quero, sim
Vem dizer que você não sabe
E quanto a mim, não é o fim
Nem há razão pra que um dia acabe

3. Vou Deixar

Vou Deixar

Samuel Rosa - Chico Amaral

Vou deixar a vida me levar
Pra onde ela quiser
Estou no meu lugar
Você já sabe onde é

Não conte o tempo por nós dois
Pois a qualquer hora
Posso estar de volta
Depois que a noite terminar

Vou deixar a vida me levar
Pra onde ela quiser
Seguir a direção
De uma estrela qualquer

Não quero hora pra voltar
Não!
Conheço bem a solidão
Me solta!
E deixa a sorte me buscar

Eu já estou na sua estrada
Sozinho não enxergo nada
Mas vou ficar aqui
Até que o dia amanheça
Vou esquecer de mim
E você se puder
Não me esqueça

Vou deixar o coração bater
Na madrugada sem fim
Deixar o sol te ver
Ajoelhada por mim
Sim!

Não tenho hora pra voltar
Não!
Eu agradeço tanto a sua escolta
Mas deixa a noite terminar

Eu já estou na sua estrada
Sozinho não enxergo nada
Mas vou ficar aqui
Até que o dia amanheça
Vou esquecer de mim
E você se puder
Não me esqueça

Não, não, não quero hora
Pra voltar, não
Conheço bem a solidão
Me solta!
E deixa a sorte me buscar

Não, não, não tenho hora
Pra voltar, não
Eu agradeço tanto a sua escolta
Mas deixa a noite terminar

4. Amores Imperfeitos

Amores Imperfeitos

Samuel Rosa - Chico Amaral

Não precisa me lembrar
Não vou fugir de nada
Sinto muito se não fui feito um sonho seu

Mas sempre fica alguma coisa
Alguma roupa pra buscar
Eu posso afastar a mesa
Quando você precisar

Sei que amores imperfeitos
São as flores da estação

Eu não quero ver você
Passar a noite em claro
Sinto muito se não fui seu mais raro amor

E quando o dia terminar
E quando o sol se inclinar
Eu posso por uma toalha
E te servir o jantar

Sei que amores imperfeitos
São as flores da estação

Mentira se eu disser
Que não penso mais em você
E quantas páginas o amor já mereceu
Os filósofos não dizem nada
Que eu não possa dizer

Quantos versos sobre nós eu já guardei
Deixa a luz daquela sala acesa
E me peça pra voltar

Não precisa me lembrar
Não vou fugir de nada
Sinto muito se não fui feito um sonho seu

Sei que amores imperfeitos
São as flores da estação

Mentira se eu disser
Que não penso mais em você
E quantas páginas o amor já mereceu
Os filósofos não dizem nada
Que eu não possa dizer

Quantos versos sobre nós eu já guardei
Deixa a luz daquela sala acesa
E me peça pra voltar

5. Vamos Fugir

Vamos Fugir

Gilberto Gil - Liminha

Vamos fugir
Deste lugar, baby
Vamos fugir
Tô cansado de esperar
Que você me carregue

Vamos fugir
Pr’outro lugar, baby
Vamos fugir
Pr’onde quer que você vá
Que você me carregue

Pois diga que irá
Irajá, Irajá
Pra onde eu só veja você
Você veja a mim só
Marajó, Marajó
Qualquer outro lugar comum
Outro lugar qualquer
Guaporé, Guaporé
Qualquer outro lugar ao sol
Outro lugar ao sul
Céu azul, céu azul
Onde haja só meu corpo nu
Junto ao seu corpo

Vamos fugir
Pr’outro lugar, baby
Vamos fugir
Pr’onde haja um tobogã
Onde a gente escorregue

Vamos fugir
Deste lugar, baby
Vamos fugir
Tô cansado de esperar
Que você me carregue

Pois diga que irá
Irajá, Irajá
Pra onde eu só veja você
Você veja a mim só
Marajó, Marajó
Qualquer outro lugar comum
Outro lugar qualquer
Guaporé, Guaporé
Qualquer outro lugar ao sol
Outro lugar ao sul
Céu azul, céu azul
Onde haja só meu corpo nu
Junto ao teu corpo nu

Vamos fugir
Pr’outro lugar, baby
Vamos fugir
Pr’onde haja um tobogã
Onde a gente escorregue

Tô cansado de esperar
Que você me carregue
Todo dia de manhã
Flores que a gente regue
Uma banda de maçã
Outra banda de reggae

Todo dia de manhã
Flores que a gente regue
Uma banda de maçã
Outra banda de reggae

6. Balada do Amor Inabalável

Balada do Amor Inabalável

Samuel Rosa - Fausto Fawcett

Leva essa canção
De amor dançante
Pra você lembrar de mim
Seu coração lembrar de mim

Na confusão do dia-a-dia
No sufoco de uma dúvida
Na dor de qualquer coisa

É só tocar essa balada
De swing inabalável
Que é oásis pro amor
Eu vou dizendo
Na sequência bem clichê
Eu preciso de você

É força antiga do espírito
Virando convivência
De amizade apaixonada
Sonho, sexo, paixão
Vontade gêmea de ficar
E não pensar em nada

Planejando
Pra fazer acontecer
Ou simplesmente
Refinando essa amizade
Eu vou dizendo
Na sequência bem clichê
Eu preciso de você

Mesmo que a gente se separe
Por uns tempos ou quando
Você quiser lembrar de mim
Toque a balada
Do amor inabalável
Swing de amor nesse planeta

Mesmo que a gente se separe
Por uns tempos ou quando
Você quiser lembrar de mim
Toque a balada
Seja antes ou depois
Eterna Love Song de nós dois

Leva essa canção
De amor dançante
Pra você lembrar de mim
Seu coração lembrar de mim

Na confusão do dia-a-dia
No sufoco de uma dúvida
Na dor de qualquer coisa

7. Dois Rios

Dois Rios

Samuel Rosa - Nando Reis - Lô Borges

O céu está no chão
O céu não cai do alto
É o claro, é a escuridão

O céu que toca o chão
E o céu que vai no alto
Dois lados deram as mãos

Como eu fiz também
Só pra poder conhecer
O que a voz da vida vem dizer

Que os braços sentem
E os olhos veem
Que os lábios sejam
Dois rios inteiros
Sem direção

O sol é o pé e a mão
O sol é a mãe e o pai
Dissolve a escuridão

O sol se põe se vai
E após se pôr
O sol renasce no Japão

Eu vi também
Só pra poder entender
Na voz a vida ouvi dizer

Que os braços sentem
E os olhos veem
E os lábios beijam
Dois rios inteiros
Sem direção

E o meu lugar é esse
Ao lado seu, meu corpo inteiro
Dou o meu lugar pois o seu lugar
É o meu amor primeiro
O dia e a noite as quatro estações

Que os braços sentem
E os olhos veem
E os lábios sejam
Dois rios inteiros
Sem direção

O céu está no chão
O céu não cai do alto
É o claro, é a escuridão

O céu que toca o chão
E o céu que vai no alto
Dois lados deram as mãos

Como eu fiz também
Só pra poder conhecer
Tudo que a voz da vida vem dizer

Que os braços sentem
E os olhos veem
E os lábios beijam
Dois rios inteiros
Sem direção

E o meu lugar é esse
Ao lado seu, no corpo inteiro
Dou o meu lugar pois o seu lugar
É o meu amor primeiro
O dia e a noite as quatro estações

Que os braços sentem
E os olhos veem
Que os lábios sejam
Dois rios inteiros
Sem direção

8. Onde Estão?

Onde Estão?

Samuel Rosa - Nando Reis

Fecho os olhos
Peço para Deus
Que possa atender
Esses versos e prosa
Que eu deixei
E eu não sei
Se irão
Tocá-lo em servidão

Abro a porta
Olho para o céu
Será que já choveu?
No jardim essas rosas
Que eu plantei
E eu não sei
Se estão
Mortas ou em botão

E eu me perguntei:
Onde estão
Todas as crianças
Todas as pessoas
Que eu já chamei
Que eu procurei aqui
E que eu tanto amei?
Onde estão meus irmãos?
Onde estão?

Abro os braços
Tanta emoção
Quando eu irei te ver?
No jardim, essas rosas
Que eu plantei
Mas eu não sei
Se irão
Abrir esses botões

Fecho os olhos
Peço para Deus
Que tente entender
Esses versos e prosa
Que eu não sei
Se eu deixei
Em vão
Tocar a imensidão

E eu me perguntei:
Onde estão
Todas as crianças
Todas as pessoas
Que eu já chamei
Que eu procurei aqui
E que eu tanto amei?
Onde estão meus irmãos?
Onde estão?

9. Ali

Ali

Samuel Rosa - Nando Reis

Ela entrou e eu estava ali
Ou será que fui eu que ali entrei
Sem sequer pedir a menor licença?

Ela de batom caqui
Com os olhos olhava o quê? Eu não sei
Olhos de águas vindas de outros oceanos

Ela me olhou – Quem?
Quem sabe com ela
Eu teria as tardes que sempre me passaram
Como miragens, como invenção!

Se eu não posso ter
Fico imaginando

Virá com ela que entrega
Virá, sim, assim virá que eu vi
Virá ou ela me espera
Virá, pois ela está ali

Ela amou o que estava ali
Ou será que foi dela o que eu já amei
Como os laços fixos de uma residência?

Ela: Alô!? E eu não reagi
Com os olhos olhava o que eu lembrei
Quando andava indo em outra direção

Ela me olhou – Vem!
Quem sabe com ela
Eu veria as tardes
Que sempre me faltaram
Como miragens, como ilusão!

Se eu não posso ver
Fico imaginando

Virá com ela que entrega
Virá, sim, assim virá que eu vi
Virá ou ela me espera
Virá, pois ela está ali

Ela andou e eu fiquei ali
Ou será que fui eu que dali mudei
Com uns passos mudos de uma reticência?

Ela me olhou bem
Quem sabe com ela
Eu teria achado o que sempre me faltava
Cores, colagens, sons, emoção!

Se eu não posso ser
Fico imaginando
Eu fico imaginando

Virá com ela que entrega
Virá, sim, assim virá que eu vi
Virá ou ela me espera
Virá, pois ela está ali

10. Formato Mínimo

Formato Mínimo

Samuel Rosa - Rodrigo F. Leão

Começou de súbito
A festa estava mesmo ótima
Ela procurava um príncipe
Ele procurava a próxima

Ele reparou nos óculos
Ela reparou nas vírgulas
Ele ofereceu-lhe um ácido
E ela achou aquilo o máximo

Os lábios se tocaram ásperos
Em beijos de tirar o fôlego
Tímidos, transaram trôpegos
E ávidos, gozaram rápido

Ele procurava álibis
Ela flutuava lépida
Ele sucumbia ao pânico
E ela descansava lívida

O medo redigiu-se ínfimo
E ele percebeu a dádiva
Declarou-se dela, o súdito
Desenhou-se a história trágica

Ele, enfim, dormiu apático
Na noite segredosa e cálida
Ela despertou-se tímida
Feita do desejo, a vítima

Fugiu dali tão rápido
Caminhando passos tétricos
Amor em sua mente épico
Transformado em jogo cínico

Para ele, uma transa típica
O amor em seu formato mínimo
O corpo se expressando clínico
Da triste solidão, a rubrica

11. Canção Noturna

Canção Noturna

Lelo Zanetti - Chico Amaral

Misterioso luar de fronteira
Derramando no espinhaço quase um mar
Clareando a aduana
Venezuela, donde estás?

Não sei por que nessas esquinas vejo o seu olhar
Minha camisa estampada com o rosto de Elvis
A minha guitarra é minha razão
Minha sorte anunciada
Misteriosamente a lua sobre nada

Não sei por que nessas esquinas vejo o seu olhar
Não sei por que nessas esquinas vejo o seu olhar
Espalhe por aí boatos de que eu ficarei aqui
Espalhe por aí boatos de que eu ficarei aqui

Vem, mamacita, doida e meiga
Sempre o âmago dos fatos
Minha guerra e as flores do cactos
Poema, cinema, trincheira

Não sei por que nessas lagunas vejo o seu olhar

Um cego na fronteira, filósofo da zona
Me disse que era um dervixe
Eu disse pra ele, camarada
Acredito em tanta coisa que não vale nada

[Refrão 1x]

Não sei por que nessas escunas vejo o seu olhar
Não sei por que nessas escunas vejo o seu olhar

Velejando, viajando, sol quarando
Meu querer, meu dever, meu devir
E eu aqui a comer poeira
Que o sol deixará

Não sei por que nessas esquinas vejo seu olhar
Não sei por que nessas esquinas vejo seu olhar

12. I Want You

I Want You

Bob Dylan

The guilty undertaker sighs
The lonesome organ grinder cries
The silver saxophones say I should refuse you

The cracked bells and washed-out horns
Blow into my face with scorn
But it´s not that way
I wasn´t born to lose you

I want you, I want you
I want you so bad
Honey, I want you

The drunken politician leaps
Upon the street where mothers weep
And the saviors who are fast asleep
They wait for you

Now I wait for them to interrupt
Me drinkin’from my broken cup
And ask me to
Open up the gate for you

I want you, I want you
I want so bad
Honey, I want you

Now all my fathers
They’ve gone down
True love they’ve been without it
But all their daughters put me down

Cause I don´t think about it
Well, I return to the Queen of Spades
And talk with may chambermaid
She knows that I´m not afraidTo look at her

She is good to me
And there’s nothing she doesn’t see
She knows where I’d like to be
But it doesn’t matter

I want you, I want you
I want you so bad
Honey, I want you

Now your dancing child with his chinese suit
He spoke to me, I took this flute
No, I wasn´t very cute to him was I?

But I did it, though, because he lied
Because he took you for a ride
And because time was on his side
And because I…

I want you, I want you
I want you so bad
Honey, I want You

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